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| Juvenis Estoril Praia, Set 25 a Jan 26 Esq. p/ dir: Nuno Luís, Alíce, Vivi, Catarina, Gabriela, Ines, Sofia, Maria, Daniela, Kika e Zé Abi, Maria do Mar, Mia, Gabi e Teresa. |
Vencer, às vezes, começa em confiar
O passo seguinte é celebrar
Há uma equipa de meninas
adolescentes que, em setembro, vivia um momento de reinício de época. Algumas
chegavam com feridas ainda muito vivas de um percurso anterior duro e
desqualificador. Reuniram-se em quadra cheias de medo — medo real de que tudo
se repetisse, de que o esforço voltasse a doer mais do que ensinar.
As que as receberam estavam de
coração aberto, mas também sem certezas. A nova temporada era um território
desconhecido para todas. Era preciso reconstruir amizades, reencontrar
propósitos e, sobretudo, confiar que haveria uma figura técnica capaz de conduzir
o processo com sabedoria, competência e respeito, rumo ao próximo campeonato.
Chegou o dia de iniciar e conhecer o novo treinador: o Nuno Luís.
Os receios não desapareceram de
imediato. Tentavam ressurgir dentro de cada atleta, cada uma com as suas
histórias e marcas. Houve quem não conseguisse entrar em quadra. O corpo
lembrava o que a mente ainda tentava esquecer. Permanecer na bancada, naquele
momento, foi a forma possível de participar. Foi também a forma de perceber,
aos poucos, que nenhuma experiência é igual e que recomeçar pode não doer da
mesma maneira.
Ainda no primeiro treino já se
via algo diferente nos rostos: uma certa leveza. Com leitura atenta do que se
passava, o guia foi conduzindo a marcha, aproximando-se de cada uma, sem
pressa. A tranquilidade instalada em quadra trouxe analgesia à atleta da
bancada. O corpo começou a confiar antes mesmo das palavras.
No fim do treino, estavam todas
reunidas em volta do treinador. Nos olhos, via-se a expectativa de uma
temporada nutrida com o que há de mais sagrado: a alegria de fazer bem aquilo a
que se propõem.
Treino após treino, a equipa
foi-se entregando à proposta de procedimentos técnicos, éticos e humanos
apresentada pelo Nuno. Ele tornou-se um guia como deve ser — não apenas um
profissional a cumprir uma função, mas alguém seguro, firme e atento, que sabia
exigir sem ferir, corrigir sem desqualificar, orientar sem perder a humanidade.
Um verdadeiro propulsor de aprendizagens daquelas que, por serem profundas,
seguem para a vida.
Sabemos hoje que o que
verdadeiramente transforma não é a quantidade de estímulos, mas a qualidade das
relações que se constroem. É nelas que nasce a segurança, a confiança e a
disponibilidade para aprender.
A temporada foi curta, mas rendeu
muitas vitórias. Especialmente no apaziguamento de feridas antigas. Muitas
atletas aprenderam que há formas de vencer campeonatos que não passam por
intervenções agressivas ou violentas. Que é possível conduzir uma equipa pelas
linhas da educação positiva e sustentável das relações. Que se pode vencer
jogos com técnica e estratégia sem ferir a autoestima. Que comunicar de forma
clara e eficaz não exige desqualificação.
Aprenderam também que entrega,
pontualidade, assiduidade e a coragem de repetir quantas vezes forem
necessárias uma técnica fazem parte das ações que constroem competências reais.
Chegámos ao fim da primeira parte
da temporada. Com tristeza, despedimo-nos do grande mentor. A interrupção foi
inesperada e sentida. Um golpe. Mas, como tudo o que foi vivido até aqui
ensinou, o que importa não é apenas o tempo que algo dura, mas o quanto nos
transforma. Estabelecer novos vínculos também é preciso para crescer...
Não há dúvida de que este breve
percurso permanecerá no coração de cada uma como um ponto de virada — um lugar
interno de confiança nos processos e no humano que conduz a técnica.
Assim se formou um grupo cheio de
valências e competências. Antes, meninas a reagrupar-se, a conhecer-se, a
fortalecer-se na experiência partilhada. Agora, uma equipa competitiva, coesa e
cheia de vontade de ser ainda maior.
As Juvenis do Estoril Prai Volei tornaram-se
vencedoras não apenas de jogos, mas de um processo. Um processo que ensinou a
confiar, a insistir, a aprender sem medo e a crescer num ambiente onde a
exigência caminhou lado a lado com o respeito.
E quando se aprende assim, algo
muda para sempre.
Não se volta ao ponto de partida. Vamos
celebrar esta etapa bem vivida!
Parabéns às Campeãs Regionais.
Nossos agradecimentos ao Nuno por
toda a sua dedicação e humanidade para com as nossas atletas.
